Primeiro dia do ano de dois mil e três. À noite, o céu de estrelas pontilhado realçava formas geométricas diversas, que reluziam na tela aluzada. Foi quando, melancólica e desiludida, olhei e captei o recado que quisera ser tão subliminar, emitido por aquela nuvem de imagem donzela.
A inatingível nuvem, com seus gestos vagarosos, como a me observar tranqüila e demasiadamente, formava, delicadamente em série, a consoante "F", seguida pela vogal "A" e, logo atrás, a resoluta "N", consoante. A nomenclatura delas e o fonema concretizado e soado, me fez parar, pensar, refletir e meditar... Talvez fossem letras imaginárias, ou até mesmo de outrora, que ficaram cuidadosamente arquivadas em minha memória; mas a mensagem era para aquela exata hora. Pude perceber a importância, mais do que nunca, da comunicação, por mais restrita que esta seja.
Contudo, o foco para o qual a minha atenção fora direcionada naquela solitária e tristonha noite, foi a origem daquela seqüência de letras. Foi aí que senti a importância de um idioma para determinado povo... E a nuvem, tão bem feita pelo seu Criador, estava só querendo transmitir para mim, que minha pessoa como brasileira deveria ter a honra de saber pronunciar um maravilhoso idioma: a Língua Portuguesa! Minha face corou de vergonha e meus lábios se estremeceram de pavor, já que a razão transmitiu ao meu coração o horror que era possuir um tesouro tão valioso como aquele e não lhe atribuir o merecido valor. A correria do cotidiano havia me isolado da essência da grandeza bela e resplandecente que a Natureza poderia ter me presenteado desde antes.
Depois da profunda mas breve reflexão, elevei os meus olhos para o Céu e contemplei uma cena deslumbrante: aquela nuvenzinha modesta, porém com admirável destaque, continuava o seu caminho, mais abrilhantada pela Lua, e era como se mantivesse um sorriso... arremessado pelos ares... Sorriso este que tinha o poder de chamar a atenção não só minha, mas de todos aqueles que estivessem desapercebidos com as coisas da vida que têm realmente valor, mas este é difícil de ser legalmente atribuído.
Baixei a minha cabeça, fechei os meus olhos e comecei a imaginar, imaginar, imaginar. Mais do que depressa, levantei e me prostrei em uma mesa e, com uma caneta, passei todas as minhas idéias para aquele papel que, para mim, agora tinha até um aroma gratificante. Não satisfeita, a cada dia mais, buscava mais conhecimento literário e gramatical. Encantei-me de uma forma tão especial com essa Língua, ela é simplesmente inaudita! E a partir daquele memorável dia, busco a cada instante aprender das fontes mais completas de conhecimento, já que sou herdeira e, sendo assim, tenho o dever mais que direito, de conhecer, pronunciar e escrevê-la satisfatoriamente.
Vez ou outra, fico pensando como essa minha atitude inovadora pôde aliviar a tensão daquela noite e conseguiu aumentar a minha auto-estima, pois agora me sinto valorizada, pois além de ser uam criatura de DEUS, cidadã com direito a diversificações particulares, sou uma "fã" de nossa espetacular Língua! Fico a lamentar, mas acreditando que muitas outras pessoas, principalmente a geração dos jovens, venha a ter consciência da importância da Língua.
Aquele "Feliz Ano Novo" se tornou: Feliz Aprendizado Novo"... Por causa de uma simples forma que uma encantadora nuvem pôde exibir para uma lição me transmitir."
(Sara Guimarães de Oliveira - 2005)